Encruzilhada

Descompassados caminhos em rota
As vezes preferiria que estivesse morta
Ainda que seja uma ideia torta
É melhor saber que o mundo perdeu a que mais importa
Do que pensar que perdi a que bateu na minha porta

Odeio o sentimento de saudades que tenho
Ao mesmo tempo que sei que é demais
Minha presença e meus sonhos são irreais
Para uma garota sem rugas no cenho

Tentei te salvar do abismo que afundava
Sem sucesso eu também me afogava
Em mares repletos de angústia e incerteza
Ainda que a sua água salgada fosse minha fortaleza

Não sei se um dia você chegou a me amar
Mesmo que digas de boca para fora
Seu coração enegrecido ainda implora
Pela oportunidade de se libertar

Carícia e troca de olhar
Sorrisos vazios e cheios de paixão
Fogo que consumiu todo o colchão
Da cama em que nos deitamos ao luar

Temo que para mim nunca mais terei sua companhia
E sinto ter de nos afastarmos
Espero que perceba que fomos feitos para nos amarmos
Ainda que, do mundo, acabe toda a empatia


Nessa encruzilhada vamos por caminho em oposto
Não sei se sou muito intenso para ti, amor
Mas sei que fizemos a decisão enganada por nossa dor
Mil vezes tentamos, mas o medo lhe deixava indisposta

Não sou o príncipe que pensei
Por mais que de tudo tenha tentado
A única que pode lhe salvar é você

Espero que encontre algo ou alguém
Que enfim lhe liberte de seus fantasmas
Visto que eu, em minha invalidez
Não consegui fazer

Esse é meu Adeus para você,
Que roubou meu coração e me teve por completo
Mas não se ofereceu a mim
Por medo do incerto

Publicado por GABRIEL DE CASTRO MAIA CARDOSO

Autor de "A Jornada do Legista" Escrevo sobre várias coisas Jornalismo UFMG

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