Carta recebida em fevereiro de 1922, após o desaparecimento de James Brown, médico cirurgião, junto com a família de sua esposa:
Serei sucinto, pois temo que a loucura abissal esteja chegando…
Mas escrevo a ti essa carta para relatar o que aconteceu comigo em dezembro de 1921, mês do aniversário de minha noiva, Beatrice.
Como bem sabes, a família dela é bem reservada, então nunca conheci-os pessoalmente…
Até que insisti em conhecê-los em comemoração dos 30 anos de minha amada, a festa correu bem, mas algo me incomodava sempre que eu olhava nos olhos de seus pais: como se o fundo deles não fossem compatíveis com sua aparência. Mas como uma pessoa educada, deixei isso de lado…
Ou assim achei, mas não paro de sonhar com eles, desde o dia do aniversário dela, os olhos de seus pais não saem da minha mente, como se fossem um turbilhão onde continha o vazio, toda vez que olhava neles, tinha a impressão que o Nada olhava de volta.
Talvez seja apenas loucura minha, mas decidi confrontá-los na festa de Natal, não diretamente, é claro.
Mas fiz cada vez mais perguntas sobre eles até que ficaram desconfortáveis e foram embora, briguei com Beatrice nesse dia, mas me senti relaxado, no fundo não era nada.
Ou assim eu queria acreditar: na festa de virada de ano, eles vieram novamente, mas estavam ainda mais estranhos: um cheiro forte de maresia vinha deles, apesar de morarmos no Texas e não termos ido ao mar faz vários anos. Mas logo botei em mente que era algo da minha cabeça…
Infelizmente não consegui interrogá-los dessa vez, mas dia 7 de janeiro é o aniversário de minha sogra, Meredith, e irei confrontá-los dessa vez, jogarei todas as cartas na mesa.
Sem Beatrice, pois a prendi no porão tem alguns dias, direi a eles apenas que ela está doente, para não suspeitarem.
Ah, mas será um grande confronto, oh se vai… as vozes me disseram para ir armado, pois eles podem ser monstros de outro planeta, preparados para me matar.
Será se Beatrice saberia disso? Diz ela que foi adotada, foi o que consegui arrancar dela depois de quebrar seus dedos.
Vai ser um grande dia, a Lua olha por mim…
