Era Uma Vez…

Havia um tempo em que a magia era como bruma
Névoa que resplandece e paira sob o ar adocicado
Uma princesa vivia em seu castelo encantado
Por inveja foi visitada pela fada que enciuma

Tão bela era a princesa adormecida
Que a imortal Carabosse decidiu arruinar
A vida e o destino da Bela em seu lar
Tal qual Oberon fizera com seu par, a fada esquecida

Magia do sono induzido é poderosa o bastante
Mas de todos poderes apenas o amor é maior
Corrompe e ilumina a alma do ser inconstante
E libertaria a princesa de seu eterno desfulgor

A natureza adentra pelo castelo velho
Cuja herdeira dormia em sono eterno
Mil anos se passam como vento no assoalho
O príncipe encantado avista seu prêmio terno

Ele acreditava que ela era sua posse, sua propriedade
E amava a ideia de possuí-la por si próprio
Aproveitou-se de sua inocência e fragilidade
Em vista do olhar faerico, comete estupro e adultério

O herói se vangloria com seus amigos porcos
De ter usado a Bela no castelo abandonado
Outro possui a mesma ideia, a de um tarado
Ajunta-se também nela como poucos

A princesa indefesa em seu sono berra
A fada se apieda da princesa usada
E lhe concede poder que até mesmo o palácio desterra
Contemplem a vingança da princesa violada

A Bela agora é Monstro mágico
Caortannach é seu nome impuro
Caça seus detratores com fúria de sádico
Devastou o reino em seu ímpeto obscuro

Em poucos dias, só ela existia na região
Finalmente teve paz de coração
Sem interferência do destino ou dos homens
Dormiu novamente para sonhar sonhos
De uma vida que poderia ter sido

Publicado por GABRIEL DE CASTRO MAIA CARDOSO

Autor de "A Jornada do Legista" Escrevo sobre várias coisas Jornalismo UFMG

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