Perseguidor

Temo meu vindouro falecimento
Olhares que se cruzam a todo momento
Me perseguem por ruas entre concreto e cimento
Olho para o retrato no relógio, meu memento

Flores murcham, sol esconde às nuvens
Crepúsculo noturno escurece as vistas
Do rio, escuto passos sobre margens
Como coral de demônios anarquistas

Sino toca, meu nome se revela
Sou aquele que a morte espera
Estou sozinho, na presença dela
Dos sofrimentos do inferno, estou na véspera

Me veem chorar, esses olhos por toda parte
Nas ruas, becos, prédios, me perseguem sem pena
Vultos que se aglomeram em noite serena
Assim como um pintor que cerceia sua arte

Ansiedade está nos meus pulmões em afim
Me despeço dessa vida sem mote
Até os olhares passarem por mim
E seguirem seus caminhos em lote

Não era a mim que perseguiam
Meu carrasco não são eles
Sou eu...

Publicado por GABRIEL DE CASTRO MAIA CARDOSO

Autor de "A Jornada do Legista" Escrevo sobre várias coisas Jornalismo UFMG

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