Meus olhos pesam sobriamente
O chilrear dos pássaros é irritante
O barulho do alarme incomoda meus tímpanos
Oxigênio que antes me supria, agora é sufocante
Com a cabeça doendo, me levanto lentamente
Noite anterior se passa diante de mim
Memória sorridente
Afloram sentimentos efêmeros
Em um coração descontente
Há um alívio momentâneo por fim
Suor humano nos cobre
Álcool nas veias
Movimentos extravagantes
Bela garota nas ameias
Confortamo-nos em sentimento pobre
Etéreos e desvalidados
Entrelaçamo-nos em instinto primitivo
Prazer que se esvai mais rápido
Que as areias de uma ampulheta em definitivo
Quando a natureza rola seus dados
Foi uma boa noite festiva
Dela não sairá nenhum fruto marcante
Nem mesmo me lembrarei
Da bela garota nas ameias picante
No dia seguinte à festa em ativa
Por que procuro prazeres limitados?
Sendo que o limite do amor é desconhecido?
Impávido fogo se apaga
Tomo meu café envelhecido
Por uma noite em companhia dos amados.