A Última Esperança

A verdade é que não sei por que luto… Sou uma arma, mas não tenho quem me empunhe, os orixas me criaram para defender a Terra, mas ela já foi perdida.

A criatura que enfrentamos é mais poderosa do que os heróis do planeta. Só sobrou eu…

Não tenho sentimentos, sou vazio, não tenho vontades, quem eu sou? Apenas uma arma sem guerreiro.

Olho para cima, metade da vida na terra foi varrida, biomas inteiros devastados, espécies extintas.

O nome da criatura era desconhecido, mas a última batalha que tivera com a Liga dos Heróis revelara uma coisa: à sacrifício de geral souberam que era uma civilização inteira que se Uniu em um único corpo e ia absorvendo energia de galáxias para ficar cada vez mais poderosa.

O que eu poderia fazer? Não tinha nem um ano de vida…

Passei meu tempo com humanos mas não sei se devo salvá-los.

Em meio a destruição, vejo uma criança correndo desesperada coberta de sangue e fuligem.

Olho para cima, o imenso rosto da criatura cobria todo o céu, era maior que a Terra.

Lembrei me de uma antiga história humana, de um gigante sendo derrotado por um humilde camponês e pela primeira vez na minha existência eu sorri, entendi a felicidade que os humanos sentiam em coisas absurdas ou irreais, isso se chamava como? Ironia?.

Foi então que tomei minha decisão:

Não sou humano, mas não quero morrer, quero viver, quero sentir mais, aprender mais…

O que eu poderia fazer? A Terra vai ser destruída…

Uma intuição veio dos céus:

— Você é forte, filho da floresta, você pode derrotá-lo, olhe dentro do seu coração.

De repente soube o que tinha que fazer, estendi a mão para frente e reuni meu poder.

-— Espírito da rebelião, me dê seu poder – as palavras saíram tão naturalmente da minha boca como se eu tivesse sido programado para isso.

Senti parte da energia saindo da criatura, a revolta de inúmeros povos derrotados vindo até mim, o último herói da terra. Reuni toda essa energia e recitei:

— Ó espíritos perdedores, cujas honras não se findaram, reúnam se a mim e tenham direito à sua vingança. Ecos do passado, presente, futuro, heróis que foram e que serão, todos juntos em uma única Lâmina.

Concentrei essa energia e a energia do próprio planeta e condensei em formato de uma espada simples  de dois gumes, ela irradiava em amarelo e brilhava como o sol, derretendo tudo a minha volta, incluindo minhas roupas.

Girei a Lâmina em minhas mãos em forma de ataque e preparei-me para o impacto da criatura, que tentava me alcançar com seu braço.

— Vou te contar uma história, do pequeno contra o grande, da rebelião contra o poder. Em que essa espada surgiu e partiu os céus, esse único golpe se chamará ritual da separação, e distribuirá equidade por todo o universo…

Não sei por que essas palavras saíram da minha boca, mas me pareceram certas, enquanto o ataque da criatura se aproximava pude sentir a própria atmosfera se virando contra mim.

Não importava, eu iria viver…

Com um berro, dei um único ataque de baixo para cima, e o céu se partiu, a sombra que estava na Terra também, e pude ver uma última vez o sol.

De certa forma eu sabia que não ia sobreviver, por que havia feito isso? Era só mais um ato inútil, de uma vida inútil.

Mas sei que, por algum motivo, os humanos se lembrarão desse dia, em que alguém os salvou…

Publicado por GABRIEL DE CASTRO MAIA CARDOSO

Autor de "A Jornada do Legista" Escrevo sobre várias coisas Jornalismo UFMG

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