Juramento do Revolucionário

É meio estranho dizer isso assim...
Mas me encontro acompanhado na solidão
Lágrimas caem do céu e preenchem o ônibus velho
Suas janelas, seu chassi, meu coração
Antes que me perca em pensamentos por fim
Vejo cair mais uma gota de chuva no assoalho

Sinto a falta de minha pessoa
Enquanto vejo a estrada passar em ritmo constante
A visão das árvores do lado de fora me conforta
Embora meus receios pessimistas tenham obstante
O barulho das rodas em meu ouvido ressoa
Ainda que em minha mente algo se porta

A quanto tempo me perdi em lágrimas de receio?
Fugindo dos problemas que me seguiam por toda parte
Tenho para mim uma segunda oportunidade
Meus sentimentos em conflito sem nada que aparte
Temor de um um cruel anseio
De tentar e falhar por toda eternidade


Falho bastante em meu ímpeto
Isso deverá mudar em próximo legado?
Quando chegar em meu destino derradeiro
Espero que não seja mais mal amado
As gotas de chuva caem pelo teto Enquanto minhas lágrimas caem por inteiro

Por que lembro de tudo que passei?
De forma alguma sou preso ao passado
Ou não deveria ser, afinal
Ainda que todo remorso há de ser ultrapassado
Não quero findar o ódio de tudo que lutei
Pois sou aquele que anda com o Mal


Maldade sem fim de sentimentos negativos
Minha revolução vitimou vários
Minha família não mais me reconhece
E viajo em um ônibus com diversos seres igualmente falhos
Mas também existem lados positivos
Pois não existem mais gatilhos de qualquer espécie

Gatilhos, me pergunta?
Abuso de poder sem permuta Operários escravos de sua própria labuta
Agora parto em direção do pescoço do filho da puta
Que arruinou esse país em nome de inútil luta
Quero ainda que caia de forma absoluta


Pelas minhas mãos te sangrarei Suas  vitórias apagarei
Seus tesouros tomarei
Sua família caçarei
Teu poder usurparei
E tua vida pegarei

Tudo em nome de um dia singelo
Que Suas tropas em olhares impávidos
Devastaram meu lar sem resistência E seus soldados violaram-me ávidos Por sangue infantil inocente e belo Então quero que tenha ciência


Todas atrocidades que cometi
Tudo que hei de cometer
É uma fração de seu terror
Algo que me fez prometer
Que porei minhas mãos em ti
E farei você sentir a dor


Ódio abominável que crescia em meu peito
Enquanto a chuva limpa meu pecado
Sigo em busca de vingança final
Na memória de meu amado
Pecador que reside em seu leito Tomarei tudo seu por final


Pois esse é o requiém daquilo que arruinou
Em nome de todos que lutaram...

Te digo apenas uma única frase:
Aqui se faz, aqui se paga.

Publicado por GABRIEL DE CASTRO MAIA CARDOSO

Autor de "A Jornada do Legista" Escrevo sobre várias coisas Jornalismo UFMG

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