O Boneco
Cheguei em casa exausta após mais um dia cansativo,estacionei o carro na garagem e fui me banhar e relaxar um pouco.
Esfreguei por um tempo os hematomas que ele me fizera, em vão... não saiam de jeito nenhum, mas já passou, o passado é passado, não adiante se remoer e se apegar à ele.
As manchas de sangue escorrem pelo ralo do banheiro enquanto um sorriso de alívio se desenha pelo meu rosto.
Após o banho, começo a confeccionar minha nova boneca, dessa vez era um boneco, tinha a aparência de um menino: seus lábios costurados em seda rosa e um vestidinho azul quase me enganaram, mas as feições eram claramente masculinas.
O boneco tinha... A presença de um homem, se me permite dizer isso. Cantarolava enquanto deixava-o mais agradável ao meu olhar: seus olhos castanhos me incomodavam, então retirei-os com uma tesoura e os substitui com pedras brilhantes que refletiam as luzes da sala; suas orelhas eram assimétricas, então as retirei, quem que confeccionou esse boneco? Não tinha harmonia alguma.
Continuei fazendo minhas alterações, colocando nele um pequeno terninho azul feito dos restos da cortina de casa, e o assentei sob um banquinho para tirar umas fotos.
Já eram 2 da manhã, precisava dormir... coloquei ele junto do resto da coleção e fui me deitar, amanhã seria um longo dia.
Trecho retirado do diário de Diane Scheferowitz, a açougueira de Praga, responsável pela morte de 23 adolescentes.
