Salgueiro

Na porta da casa dela havia
Um pacato e repleto de apatia
Salgueiro que me dizia
Quanta falta eu sentia
Do momento em que os lábios meus
Encostaram nos lábios dela

Oh, doce mulher
Lembro de tê-la comigo
Olhar uma flor e a colher
Sorrindo como um grande amigo
Amigos, amantes
Talvez perpétuos namorados

Se a eternidade fosse assim
Efêmera como um toque do destino
Queria que tu fosse, sim,
Pertence meu em doce atino
Mas o que restou de nós
Além de uma breve lembrança
Foi o Salgueiro

Passo por ele todos os dias úteis
Folhas úmidas e caídas
Repleto de observações fúteis
E de reclamações saídas
De meu passado infeliz
Que não pode te ter novamente
Ó solidão…

Por que quando vejo as madeixas
Do Salgueiro verde
Vejo seus cabelos como ameixas
Cujo senso de beleza se perde
Em comparação ao seu louvor?
Tão belo o Salgueiro pacato
Pois agora vejo
Que ele é ti, amor
Então viajo em seu olhar,
Imaginando tu
No final das raízes
Que se aprofundam no mar

Publicado por GABRIEL DE CASTRO MAIA CARDOSO

Autor de "A Jornada do Legista" Escrevo sobre várias coisas Jornalismo UFMG

Deixe um comentário

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora