Na porta da casa dela havia
Um pacato e repleto de apatia
Salgueiro que me dizia
Quanta falta eu sentia
Do momento em que os lábios meus
Encostaram nos lábios dela
Oh, doce mulher
Lembro de tê-la comigo
Olhar uma flor e a colher
Sorrindo como um grande amigo
Amigos, amantes
Talvez perpétuos namorados
Se a eternidade fosse assim
Efêmera como um toque do destino
Queria que tu fosse, sim,
Pertence meu em doce atino
Mas o que restou de nós
Além de uma breve lembrança
Foi o Salgueiro
Passo por ele todos os dias úteis
Folhas úmidas e caídas
Repleto de observações fúteis
E de reclamações saídas
De meu passado infeliz
Que não pode te ter novamente
Ó solidão…
Por que quando vejo as madeixas
Do Salgueiro verde
Vejo seus cabelos como ameixas
Cujo senso de beleza se perde
Em comparação ao seu louvor?
Tão belo o Salgueiro pacato
Pois agora vejo
Que ele é ti, amor
Então viajo em seu olhar,
Imaginando tu
No final das raízes
Que se aprofundam no mar
