Banho

Escorre ímpida pela minha pele repleta de cicatrizes
Líquido primordial e solúvel infinito
Quando cai em mim a gota da sapiência inevitável
Como um sopro de um vazio incrustado em arenito
Ensaboo-me, cravando uma sequência em inúmeras matrizes

Reflito mais uma vez sobre aquilo que me ruiu em interno
Faço de tudo para escapar de tão ardente inferno
Ainda que meu coração deseja por um alento terno
E amor maior surge de um desespero moderno

Ansiedade se esvai com a água do chuveiro elétrico
Assim como os pensamentos invasivos
Que rodeiam minha psique pouco tratada
Saio do boxe inundado de intrusos sorrisos evasivos
Que se aglomeram em meu peito em formato trigonométrico

Foi um bom banho, afinal
Pude lavar a alma que estava repleta de fuligem e mal
E meu pensamento irrequieto adormece
Após um bom tempo observando o que se esquece

Volto para o caos da vida renovado
Esperando o próximo lavadouro abençoado
Que tomará minha fadiga como bem amado
E descartará em solo longínquo, afastado

Publicado por GABRIEL DE CASTRO MAIA CARDOSO

Autor de "A Jornada do Legista" Escrevo sobre várias coisas Jornalismo UFMG

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