Mórbidos corvos mutilados
Caem em abundância de céu poente
Sinto no peito dor latente
Pensando naquilo que me faz carente
Um fio luminoso de esperança brilha
Enegrecido pelo desespero crescente
Ainda que nenhum enlace seja permanente
Vejo o futuro com temor de repente
A esperança que morre nos trilhos do tempo
Renasce após temporada em fogo ardente
Brevemente extinta por crepitar reluzente
Para nunca mais acender novamente
Afinal, o que tem no fim do caminho?
Se não uma grande decepção descrente?
…
Pois por mais que a luz final brilhe,
Do vazio ela será semente
Um ciclo sem fim e intermitente
Cujo final me é evidente
