Jaci Prateada

Jaci que guia a prata
Jaci que clareia a mata
Jaci que impõe saudade a i-pê
Jaci nhanderu em seus louvores
Jaci que lava nossas dores

Jaci î, Jaci mbó
Jaci nos mostra o caminho só
Jaci guarda o segredo da floresta
Jaci em nossos corações resta

Jaci, move planta
Jaci, crie espaço
Jaci, sede grata
Jaci, me dê um abraço

Sob o reflexo desta noite
Reflito um aspecto do céu
Cujos monstros descem sobre nós açoite
Enquanto ajoelham sob senhora pura de véu

Jaci î, Jaci mbó
Jaci nos mostra o caminho só
Jaci guarda o segredo da floresta
Jaci em nossos corações resta

Invasores d’além-mar violam
Sob vigia de deuses mortos
Pois aquele que ressuscitou os guiam
Para dominar índios corpos

Oh, Jaci, mãezinha querida
Feche teus olhos brilhantes
Para não ver teus filhos e semelhantes
Brutalizados por tamanha ferida

Jaci î, Jaci mbó
Jaci mostrava o caminho só
Jaci guardava o segredo da floresta
Jaci, em nossos corações, não resta

Sob jugo de violenta bandeira verde e amarela
A opressão, livre, impera
Enquanto os grilhões de nosso povo carregam carga
Do coração de uma derrota amarga

Publicado por GABRIEL DE CASTRO MAIA CARDOSO

Autor de "A Jornada do Legista" Escrevo sobre várias coisas Jornalismo UFMG

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