Stasis



Tic, Tac
Tic, Tac

Está passando mais um dia em vácuo
Despido de sentido, razão ou objetivo
Enquanto cicatriz mancha destino inócuo
De sujo corpo ausente de motivo

Visto-me de negra máscara repleta de persona
E me agacho cobrindo as brasas da vital pulsão
Enquanto a chama da vontade me abandona
Assim, desesperadamente crio, com paixão

As palavras que uso já não tem mais som
Tampouco hão de serem pronunciadas em louvor
Mas, se for para pensar em como vou agir…
Não há nem mesmo em mim forças para rimar
Portanto, seguirei sem rumo e organização
Para destilar tamanho desespero interno

E registrar no exterior
Aquilo que consome meu âmago
Pois pensando em todos “eus” que matei,
Devo ser condenado por suicídio culposo

Tantas possibilidades, tantas escolhas
Tantas rotas e jornadas
E não escolhi nenhuma…

Apenas estático, lamurioso e impertinente
Sinto a dor, nem tão de repente
Que sempre volta à minha torpe mente
Me fazendo voltar a rimar, mesmo que inconsistente

Pois essa rima que guia meus dedos
Esse fogo que me faz tão potente
Nada mais é que carbono desprendido
Do funeral de um ser potente

Potencial…
Pude ser tantas coisas
Hoje sou apenas uma
Amanhã ainda posso ser vários
Para no final ser apenas eu

Tanto medo de escolher
Tantas opções para viver
Para, no final, arrepender

Ah, como me arrependo de não ter tentado…

Quem sabe um dia eu possa
Decidir até mesmo
Se irei rimar, fazer troça
Ou despejar tudo à esmo

Fim do espetáculo, e infinitas pessoas jazem mortas
Pois escolhi o caminho que mata
Cada possibilidade que não sou

Publicado por GABRIEL DE CASTRO MAIA CARDOSO

Autor de "A Jornada do Legista" Escrevo sobre várias coisas Jornalismo UFMG

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