Tic, Tac
Tic, Tac
Está passando mais um dia em vácuo
Despido de sentido, razão ou objetivo
Enquanto cicatriz mancha destino inócuo
De sujo corpo ausente de motivo
Visto-me de negra máscara repleta de persona
E me agacho cobrindo as brasas da vital pulsão
Enquanto a chama da vontade me abandona
Assim, desesperadamente crio, com paixão
As palavras que uso já não tem mais som
Tampouco hão de serem pronunciadas em louvor
Mas, se for para pensar em como vou agir…
Não há nem mesmo em mim forças para rimar
Portanto, seguirei sem rumo e organização
Para destilar tamanho desespero interno
E registrar no exterior
Aquilo que consome meu âmago
Pois pensando em todos “eus” que matei,
Devo ser condenado por suicídio culposo
Tantas possibilidades, tantas escolhas
Tantas rotas e jornadas
E não escolhi nenhuma…
Apenas estático, lamurioso e impertinente
Sinto a dor, nem tão de repente
Que sempre volta à minha torpe mente
Me fazendo voltar a rimar, mesmo que inconsistente
Pois essa rima que guia meus dedos
Esse fogo que me faz tão potente
Nada mais é que carbono desprendido
Do funeral de um ser potente
Potencial…
Pude ser tantas coisas
Hoje sou apenas uma
Amanhã ainda posso ser vários
Para no final ser apenas eu
Tanto medo de escolher
Tantas opções para viver
Para, no final, arrepender
Ah, como me arrependo de não ter tentado…
Quem sabe um dia eu possa
Decidir até mesmo
Se irei rimar, fazer troça
Ou despejar tudo à esmo
Fim do espetáculo, e infinitas pessoas jazem mortas
Pois escolhi o caminho que mata
Cada possibilidade que não sou
