Não Pode Sobrar Nenhum

Eu li os arquivos do caso Epstein disponibilizados pelo governo americano no dia 30/01/2026. Não é uma leitura agradável, obviamente, mas não é algo que podemos, como sociedade ou indivíduo, ignorar. As coisas ali descritas são capazes de perturbar e traumatizar qualquer indivíduo minimamente são e empático. Sempre fui um grande crítico do gênero “trueContinuar lendo “Não Pode Sobrar Nenhum”

Um Herói

João Pedro girou a figura do Homem de Ferro em suas mãos: o boneco era articulado, a pintura estava levemente desgastada e o vermelho-vivo habitual do herói se desbotava em tons pastéis. Não era pesado, mesmo em suas mãos diminutas, era possível manuseá-lo com facilidade enquanto fazia sons de avião com a boca. A criançaContinuar lendo “Um Herói”

Stasis

Tic, TacTic, Tac Está passando mais um dia em vácuoDespido de sentido, razão ou objetivoEnquanto cicatriz mancha destino inócuoDe sujo corpo ausente de motivo Visto-me de negra máscara repleta de personaE me agacho cobrindo as brasas da vital pulsão Enquanto a chama da vontade me abandonaAssim, desesperadamente crio, com paixão As palavras que uso jáContinuar lendo “Stasis”

Presente e Memórias

Alexandre sentia saudades da ceia que teve na infância, a ceia do Natal de 1997, para ser mais exato. Foi quando seu pai, cortador de cana no interior de Pernambuco, conseguiu um dinheiro extra no jogo do bicho. Talvez não fosse uma excelente ideia usar o dinheiro conseguido com a benção da Fortuna para proporcionarContinuar lendo “Presente e Memórias”

Culpa Galopante

Acordei com os olhos remelados e o nariz bem seco: o clima de Porteirinha–MG era definitivamente ruim para minha rinite, e o hotel empoeirado e mal cuidado estava detonando minhas mucosas. Ao meu lado na cama, Lúcia roncava levemente, grunhindo coisas ininteligíveis em seu sono. Dei dois tapinhas nas costas dela, fazendo com que elaContinuar lendo “Culpa Galopante”

Jaci Prateada

Jaci que guia a prataJaci que clareia a mataJaci que impõe saudade a i-pêJaci nhanderu em seus louvoresJaci que lava nossas dores Jaci î, Jaci mbóJaci nos mostra o caminho sóJaci guarda o segredo da florestaJaci em nossos corações resta Jaci, move plantaJaci, crie espaçoJaci, sede grataJaci, me dê um abraço Sob o reflexo destaContinuar lendo “Jaci Prateada”

O Mago do Deserto

A areia incomodava seus olhos, arranhava sua íris azulada e grudava em sua pele suada. O poço de água estava a apenas cinco quilômetros do monastério, mas sair em meio ao deserto era cansativo para a criança. Mas seu mestre estava com sede, não havia muito o que fazer se não ir buscar a águaContinuar lendo “O Mago do Deserto”

Correntes de Ódio

O sol sumia preguiçosamente no horizonte do canavial, enquanto Antônio e os outros escravos eram conduzidos para a senzala por Seu João. Sentia o suor pregado ao corpo fazê-lo estremecer levemente com o vento úmido que vinha do litoral. O calor que sentia durante o dia era insuportável, ainda mais trabalhando intensamente desde que oContinuar lendo “Correntes de Ódio”

Golpe na Estrada

Fannách voava acima da floresta de Lornwood, embora ele não saiba que floresta era essa. Como tinha recém saído do Mundo das Fadas, não sabia nada da geografia ou cartografia do Mundo Terreno, e na sua bolsa de couro de Üllok das Estepes, trazia suprimentos e alguns artefatos mágicos, mas nenhum mapa.O lar dos HomensContinuar lendo “Golpe na Estrada”

Negro Como o Sol (Versão Melhorada)

Há muito tempo, entre os astecas, acreditava-se que existiam dois deuses que brigaram pela supremacia do cosmos: eles eram Quetzalcoatl e Tezcatlipoca, respectivamente o dia e a noite. Mas eles disputavam sozinhos na imensidão do cosmos, sem propósito ou adoração.  Em uma decisão súbita e impensada, na época do primeiro mundo antes do nosso, TezcatlipocaContinuar lendo “Negro Como o Sol (Versão Melhorada)”

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