Já seguraram peido na frente de uma gostosa? Pois é… eu já. Era um dia qualquer de uma semana qualquer no trabalho…, veja bem, eu sou gerente de projetos de uma empresa que vende produtos enlatados para exercício militar de grandes potências.
O que isso tem a ver com a história? Não sei, mas talvez seja um inoportuno Karma que me forçou nessa situação constrangedora, visto que o destino não gosta de quem lucra com guerras.
Talvez seja injusto, eu queria olhar na cara do destino e dizer para ele: “Moço, eu só trabalho aqui”. Mas não é assim que a banda toca, a sinfonia dessa música remete à uma flatulência de um homem assalariado de classe média e acima do peso (vulgo eu).
Pois bem, lá estava eu no elevador principal do prédio chique de nossa corporação, meu escritório fica no 13⁰ andar, mas ele faz uma parada no 5⁰: nesta parada, entra a mulher mais bonita que já vi em toda a minha vida.
Não, não vou descrevê-la, não tenho um vocabulário tão rebuscado e nem possuo a mais remota possibilidade de apresentar um ser tão angelical a meros mortais.
O maior problema é: eu ainda sou virgem e nunca conversei por muito tempo com uma mulher, que não seja para assuntos de trabalho ou algo do tipo. Sabe o que isso quer dizer né? O perfume dela me fazia ter gases.
Ela entra no elevador e sorri para mim e para o estagiário que me acompanhava, sorrio de volta, um sorriso amarelo, enquanto meu esfíncter urrava por atenção. Utilizando todos meus pontos de chakra espalhados pelo meu corpo, eu liberto o instinto superior e seguro o peido galopante que se aproximava de meu ânus.
“Acalme-se, são só alguns andares, você vai aguentar” repito para mim mesmo enquanto a moça pressionava o botão 9 no elevador, por sorte, não demoraria.
6⁰ andar: começo a recitar a seleção que ganhou o ouro olímpico em 2016. Neymar, Gabriel Jesus, Daniel Alves…
7⁰ andar: o elevador dá um tremelique e consigo liberar um pouco de gás no barulho, esperando para que o cheiro não se espalhe antes da porta abrir.
8⁰ andar: um pouco mais calmo, começo a sorrir para o espelho enquanto grito internamente “hail cu, hail cu”.
9⁰ andar: a gente não chegou nele…
Em um golpe sanguinário do destino, a energia do prédio foi embora, junto com as forças do meu cu. Libero um peido estrondoso o suficiente para fazer a moça ter um leve sobressalto na minha frente.
Para evitar constrangimentos, digo:
— Parece que emperrou alguma coisa, que barulhão.
— Pois é… deve ser a correia, ou algo assim
Aparentemente ela havia acreditado, ou pelo menos, queria que eu achasse que ela havia acreditado. Mas em poucos segundos, eu o senti: um cheiro forte e amedrontador, como o bafo de um dragão, a minha flatulência estava demonstrando seu Motivo Maior: feder para caralho.
— Acho que o elevador bateu em um bicho morto aqui do poço – disse, olhando para baixo.
— Sim, sim… deve ser isso – ela desviou o olhar e passou a encarar fixamente a porta.
Eu tinha que fazer algo: puxar um assunto talvez, quem sabe distrair ela do assunto em questão, que era o que acabara de expelir pelo meu sistema gastrointestinal. Mas como puxar assunto com uma mulher? Não sei o que falar, conversa de clima e futebol é entediante, então decidi surpreender:
— O que você acha da Guerra do Golfo?
— Perdão? – deu certo, ela estava MUITO surpresa.
— Guerra do golfo ué, oriente médio… petróleo… essas coisas.
— Ah… entendo… – ela parecia cautelosa, meu plano estava indo por água abaixo.
— Bom… acredito que os EUA não deveriam ter interferido né?
— Olha… parece que a energia está voltando… – ela disse, meio esperançosa, mas ela de fato estava.
— Sim, jajá o elevador volta a andar.
— Que ótimo – ela deu uma risadinha nervosa.
Mais alguns segundos de silêncio constrangedor…
— Enfim, não acredito que meu primo se engasgou com uma carambola.
— Com o que?
— Carambola, aquela fruta do cerrado, parece uma estrela.
— Ah sim…
Finalmente o elevador voltou a subir, e poucos instantes depois, ela estava no andar dela.
Saiu, dando um “tchau” baixinho e sem graça e passou a caminhar no corredor. Humberto, o estagiário que estava com a gente no elevador suava frio, por algum motivo, olhei para ele… havia me esquecido que ele estava ali.
— Senhor, aquela é a filha do seu Osmar, o dono desse prédio – ele disse arregalando os olhos.
— Que bom! – fiz uma pausa – espero que ela não tenha percebido que peidei.
No dia seguinte, recebi um comunicado por escrito:
Sr. Paulo, achei admirável sua atitude, flatulências são reações naturais do corpo humano, e tentar disfarçar o assunto para proteger seu estagiário foi louvável. Sinto muito pelo seu primo, espero que ele esteja bem.
No final da carta havia um número de telefone…, eu consegui uma gata! E foi só peidar nela.