
CAOS

Um local onde posso mostrar minhas maluquices e pensamentos. Meu antro de escrita criativa

Sinto algo à espreita
Uma presença no escuro abissal
Leviatã de tamanho colossal
Um ser acima de qualquer suspeita
Meu barco sente as vibrações
Ondas dobram perante suas ações
Tão inconstantes quanto as monções
Temor do mais profundo nível me domina
Algo que até mesmo o Criador abomina
Aquele que é o fim da vida
Lamenta a sereia de voz abatida
O mar possui determinado mistério
Pululando em vida como um biotério
Regado em morte como necrotério
Contradições que dinamizam o sentir
Braços viscosos e molhados me perseguem
Seus olhos de peixe não me deixam mentir
Mesmo que meus sentidos o neguem
Voz gutural sem sentido algum
Lança palavras de lugar nenhum
Tão soberbo quanto Meryamun
Possui milhões de nomes
Milhões de faces
O Deus das profundezas
Vai acordar um dia
Em R'leh tem seu derradeiro sono Despertado pelo abandono
Dos seres que deveriam louvá-lo como dono
Não olhe para o abismo, minha criança
O abismo azul que atrai seu olhar Pois assim que sua vista se cruzar
Você abandonará sua crença
Tema...
Tema o mar profundo
Pois ele não teme a nada
E um dia vai nos engolir
Fannách voava acima da floresta de Lornwood, embora ele não saiba que floresta era essa. Como tinha recém saído do Mundo das Fadas, não sabia nada da geografia ou cartografia do Mundo Terreno, e na sua bolsa de couro de Üllok das Estepes, trazia suprimentos e alguns artefatos mágicos, mas nenhum mapa.O lar dos Homens não era de todo estranho para ele, afinal, ele nascera alí.
Decidiu parar um pouco para descansar, suas asas estavam doloridas e sua barriga roncava, era hora de, no mínimo, fazer um lanche.
Sentou-se em uma clareira pequena na floresta e com um encantamento rápido, botou fogo em uma pilha de galhos secos, a única fonte de luz que iluminava o denso ambiente florestal, cuja copa das árvores praticamente impedia a penetração da luz da lua e das estrelas.
Suspirou, estava feliz, sentia o cheiro da natureza, o fluxo de mana estava agradável aquela noite, como se fosse a visão de um mar sem ondas: límpido e translúcido.
Ouvia o farfalhar das plantas, a respiração dos animais noturnos, e, acima de tudo, sentia-os como parte de si.
A habilidade de ver e redirecionar fluxos de mana era incomum até mesmo para as fadas, mas para um humano? Mais ainda, não existem registros que sustentem que uma pessoa dessas realmente existiu no passado.
Mas Fannách é um humano, ou ao menos era… Para resumir, ele era uma criança verde: fora raptado ainda recém nascido por fadas e foi criado lá, em Avalon.
Ele realmente não ligava para isso, não é como se estivesse destinado a uma vida incrível, as fadas lhe fizeram um favor de deixá-lo determinar seu próprio destino: ele agora decidia o rumo de sua vida.
Enquanto comia um pãozinho feito de fibra de salgueiro, trigo e mel (chamado Gëllen), ele sentiu um arrepio correr pela sua espinha.
A mana do local, antes sublime e pacífica, agora estava agitada, como se uma tempestade estivesse vindo
Ele olhou para o “mar” translúcido de mana e viu algo borbulhando nele, bolhas da mais profunda escuridão empesteavam o ambiente, e a temperatura do local parecia ter caído o bastante para causar choque térmico em alguns animais.
Ele sabia o que era isso: a Procissão do Rei Esquecido, um lendário grupo de guerreiros liderados por um Rei de um passado distante, cujo nome a história já se perdeu.
Se tornaram folclore no mundo das Fadas, o Rei e sua comitiva eram temidos até pelos lendários heróis e pelos guerreiros mais valentes.
É dito que quando eles aparecem, nada pode impedí-los de conquistar seu objetivo, nem mesmo um deus.
Mas Fannách não era um dos caras mais sensatos no mundo das fadas, assim que se recuperou do
susto, mostrou um enorme sorriso.
— Vou aloprar eles – uma risadinha passou pelos seus lábios.
Engoliu o resto de seu lanche e levantou voo, procurando a tão famosa comitiva.
Não precisou se esforçar, só seguiu o fluxo de mana corrompido, e lá estava: 12 espectros translúcidos em seus cavalos negros, mais um espectro que cavalgava à frente, com uma coroa de cobre repleta de joias em sua cabeça.
“Aposto que nem me perceberam” pensou Fannách com um tom sarcástico “são tão confiantes e cheios de si que não acham que terão conflitos em sua jornada” voou um pouco mais longe, ao céu “sorte que o bom companheiro Fannách está aqui para ajudá-los”.
Fez um pequeno encantamento ilusório, imperceptível a eles, que nem se preocupariam em tentar perceber algo além, e então pousou na frente da comitiva com graça de um nobre estendendo a
mão para os transeuntes espectrais:
— Alto lá!!! – fez a cara mais séria que pôde e firmou os pés, bloqueando passagem.
O Rei Esquecido levantou a mão para seus oficiais pararem, ele parecia mais intrigado que intimidado “mordeu a isca” pensou Fannách.
— Quem sóis vós? – a voz do espectro, fria e arrastada ecoou em sua mente.
— Sou o guardião desta floresta – disse, batendo uma continência exagerada – Você tem as credenciais?
Os cavaleiros entreolharam-se por alguns instantes e caíram na gargalhada, mas o Rei continuou com um olhar sério.
— Afaste-se garoto, não ouse interromper meu caminho.
— Sem problemas, só peço que me entregue as credenciais – disse com uma voz mais firme.
O espectro na frente decidiu que não estava mais afim de perder o tempo, e seguiu com seu cavalo na direção de Fannách.
Mas o cavalo, curiosamente, relincha e se recusa a passar.
— Mas que? – ele olha para o cavalo forjado nas chamas do inferno e percebe que ele está com medo.
Olha novamente para Fannách ( que sorria internamente ao realizar que enfeitiçar os cavalos com uma magia de grau menor havia dado certo).
O antigo rei não sabia, mas na visão de seu cavalo, eles estavam à beira de um precipício.
— Você… como fez isso? – olhou enfurecidamente curioso para Fannách.
— Apenas peço suas credenciais.
O Rei Esquecido suspira e decide jogar o jogo de Fannách:
— Que seria isso?
— A prova que você existe, tem que ter um documento provando que você existe.
— Ousa dizer que não existo? – o Rei sibila.
— Sem documento, não tenho como saber.
O rei pensou em simplesmente matar Fannách e continuar caminho, mas algo em suas palavras o fizeram pensar: “preciso provar que existo”.
— Por acaso – disse, contendo sua fúria – como posso achar esse documento.
Fannách quase ri alto quando o Rei disse isso.
— Posso fazer um para você – ele pisca – só preciso de seu nome e uma declaração de alguém que te conheça e testemunhe por você.
Enquanto dizia essas palavras, fez mais um encantamento bem sutil no ar, um de confusão espacial.
O Rei Esquecido ficou em silêncio por alguns instantes enquanto Fannách puxava um papel em branco e entregava a ele.
O espectro olhou por um tempo para o papel, sem saber exatamente o que fazer.
— Pode escrever seu nome – Fannách disse, gentilmente – assine aqui – apontou para um risco no papel – aqui e aqui também.
— Eu… – a voz do espectro ressoou nos seus ouvidos.
— Que foi? Precisa de uma pena para escrever?
— Não lembro meu nome.
Silêncio sepulcral tomou conta da floresta, os próprios cavaleiros espectrais ficaram tensos.
— Então você não existe – suspirou Fannách – tudo que existe tem um nome.
Os cavaleiros se mexeram desconfortáveis, enquanto o Rei se mantinha calado.
— Mas não se preocupe, tenho uma solução para você: precisa achar 50 pessoas que te testemunharam e viram você fazer qualquer coisa, e reunir a assinatura delas.
— Ou eu posso simplesmente matá-lo e fingir que nada aconteceu – Disse o espectro, fazendo os cavaleiros atrás concordarem.
— Claro que pode, mas não vai provar que você existe – disse sem pestanejar – mas tenho uma solução para você, se quiser recorrer, só ir no nosso setor de reclamações à 500 metros a leste – puxou mais um objeto da mochila enquanto fazia um encantamento rápido – só usar essa identificação.
— Se eu fizer isso, você me deixa em paz?
— Obviamente
O rei olha para o “identificador”: era um simples
chapéu com uma marcação escrita.
Ele lentamente retira a coroa e entrega para um de seus cavaleiros, vestindo o chapéu.
Vira seu cavalo para leste e segue sem dizer nada.
Ao ver todos eles afastando, rapidamente faz um feitiço para disfarçar sua aparência e levanta voo, parando exatamente no lugar onde disse que o setor estaria.
Antes que chegassem, cria um pequeno balcão feito de vinhas e uma cadeira no meio da floresta, se sentando e colocando um cachimbo na boca.
Alguns minutos depois, a comitiva chega ao local, o Rei com o estúpido chapéu escrito “otário” em linguagem faérica e seus 12 seguidores igualmente idiotas.
— Não precissar dizer nada dotô, meu irmãzinho já me passou o bilete – não sabia por que forçou um sotaque, mas isso não tornava a história menos engraçada.
Deu um trago no cachimbo e pediu para o Rei se aproximar, usando mais um encantamento de confusão, fez o cavaleiro que estava com a coroa entregá-la para seu suserano.
Já estava exausto, usou muitos encantamentos no dia, mas valeria a pena, falta só mais um e ele conseguiria derrotar a Procissão do Rei.
— Toma aqui seu permissón e pode me entregar esta chapé para eu aqui.
O rei assim o fez, pegou o documento e retirou o que estava na sua cabeça para entregar à Fannách.
— Prontinha, agorra está provado que o dotô existe. Pode passar.
Sem dizer nada, o rei coloca na cabeça a coroa e segue caminho.
Fannách ri sozinho por um tempo e observa o que roubara do rei. Mas era hora de escapar, uma hora ele vai perceber a troca, e vai vir atrás dele.
Mais a frente, na estrada, muitas testemunhas viram o Rei Esquecido passar com um chapéu escrito em faérico: “otario”.
E mil anos depois, sua coroa de bronze foi encontrada em um barranco, enterrada com uma nota: “favor entregar ao dotô”.
Sinto meu cérebro derreter
Energia esvair
Barulho de suas pás girando sem me satizfazer
Um grito silencioso se recusa a sair
Enquanto ele lá em cima reina
Eu aqui em baixo estou sofrendo
E enquanto o Homem teima
Ele está nos vendo
Fulgor inexoravel que nos alimenta Apesar de essencial
Ainda sim nos atormenta
Sem recompensa no final
Como um guerreiro brilhante
Ele empunha seu malho
O sol inunda minha mente
Pois está quente para caralho
É meio estranho dizer isso assim...
Mas me encontro acompanhado na solidão
Lágrimas caem do céu e preenchem o ônibus velho
Suas janelas, seu chassi, meu coração
Antes que me perca em pensamentos por fim
Vejo cair mais uma gota de chuva no assoalho
Sinto a falta de minha pessoa
Enquanto vejo a estrada passar em ritmo constante
A visão das árvores do lado de fora me conforta
Embora meus receios pessimistas tenham obstante
O barulho das rodas em meu ouvido ressoa
Ainda que em minha mente algo se porta
A quanto tempo me perdi em lágrimas de receio?
Fugindo dos problemas que me seguiam por toda parte
Tenho para mim uma segunda oportunidade
Meus sentimentos em conflito sem nada que aparte
Temor de um um cruel anseio
De tentar e falhar por toda eternidade
Falho bastante em meu ímpeto
Isso deverá mudar em próximo legado?
Quando chegar em meu destino derradeiro
Espero que não seja mais mal amado
As gotas de chuva caem pelo teto Enquanto minhas lágrimas caem por inteiro
Por que lembro de tudo que passei?
De forma alguma sou preso ao passado
Ou não deveria ser, afinal
Ainda que todo remorso há de ser ultrapassado
Não quero findar o ódio de tudo que lutei
Pois sou aquele que anda com o Mal
Maldade sem fim de sentimentos negativos
Minha revolução vitimou vários
Minha família não mais me reconhece
E viajo em um ônibus com diversos seres igualmente falhos
Mas também existem lados positivos
Pois não existem mais gatilhos de qualquer espécie
Gatilhos, me pergunta?
Abuso de poder sem permuta Operários escravos de sua própria labuta
Agora parto em direção do pescoço do filho da puta
Que arruinou esse país em nome de inútil luta
Quero ainda que caia de forma absoluta
Pelas minhas mãos te sangrarei Suas vitórias apagarei
Seus tesouros tomarei
Sua família caçarei
Teu poder usurparei
E tua vida pegarei
Tudo em nome de um dia singelo
Que Suas tropas em olhares impávidos
Devastaram meu lar sem resistência E seus soldados violaram-me ávidos Por sangue infantil inocente e belo Então quero que tenha ciência
Todas atrocidades que cometi
Tudo que hei de cometer
É uma fração de seu terror
Algo que me fez prometer
Que porei minhas mãos em ti
E farei você sentir a dor
Ódio abominável que crescia em meu peito
Enquanto a chuva limpa meu pecado
Sigo em busca de vingança final
Na memória de meu amado
Pecador que reside em seu leito Tomarei tudo seu por final
Pois esse é o requiém daquilo que arruinou
Em nome de todos que lutaram...
Te digo apenas uma única frase:
Aqui se faz, aqui se paga.
A verdade é que não sei por que luto… Sou uma arma, mas não tenho quem me empunhe, os orixas me criaram para defender a Terra, mas ela já foi perdida.
A criatura que enfrentamos é mais poderosa do que os heróis do planeta. Só sobrou eu…
Não tenho sentimentos, sou vazio, não tenho vontades, quem eu sou? Apenas uma arma sem guerreiro.
Olho para cima, metade da vida na terra foi varrida, biomas inteiros devastados, espécies extintas.
O nome da criatura era desconhecido, mas a última batalha que tivera com a Liga dos Heróis revelara uma coisa: à sacrifício de geral souberam que era uma civilização inteira que se Uniu em um único corpo e ia absorvendo energia de galáxias para ficar cada vez mais poderosa.
O que eu poderia fazer? Não tinha nem um ano de vida…
Passei meu tempo com humanos mas não sei se devo salvá-los.
Em meio a destruição, vejo uma criança correndo desesperada coberta de sangue e fuligem.
Olho para cima, o imenso rosto da criatura cobria todo o céu, era maior que a Terra.
Lembrei me de uma antiga história humana, de um gigante sendo derrotado por um humilde camponês e pela primeira vez na minha existência eu sorri, entendi a felicidade que os humanos sentiam em coisas absurdas ou irreais, isso se chamava como? Ironia?.
Foi então que tomei minha decisão:
Não sou humano, mas não quero morrer, quero viver, quero sentir mais, aprender mais…
O que eu poderia fazer? A Terra vai ser destruída…
Uma intuição veio dos céus:
— Você é forte, filho da floresta, você pode derrotá-lo, olhe dentro do seu coração.
De repente soube o que tinha que fazer, estendi a mão para frente e reuni meu poder.
-— Espírito da rebelião, me dê seu poder – as palavras saíram tão naturalmente da minha boca como se eu tivesse sido programado para isso.
Senti parte da energia saindo da criatura, a revolta de inúmeros povos derrotados vindo até mim, o último herói da terra. Reuni toda essa energia e recitei:
— Ó espíritos perdedores, cujas honras não se findaram, reúnam se a mim e tenham direito à sua vingança. Ecos do passado, presente, futuro, heróis que foram e que serão, todos juntos em uma única Lâmina.
Concentrei essa energia e a energia do próprio planeta e condensei em formato de uma espada simples de dois gumes, ela irradiava em amarelo e brilhava como o sol, derretendo tudo a minha volta, incluindo minhas roupas.
Girei a Lâmina em minhas mãos em forma de ataque e preparei-me para o impacto da criatura, que tentava me alcançar com seu braço.
— Vou te contar uma história, do pequeno contra o grande, da rebelião contra o poder. Em que essa espada surgiu e partiu os céus, esse único golpe se chamará ritual da separação, e distribuirá equidade por todo o universo…
Não sei por que essas palavras saíram da minha boca, mas me pareceram certas, enquanto o ataque da criatura se aproximava pude sentir a própria atmosfera se virando contra mim.
Não importava, eu iria viver…
Com um berro, dei um único ataque de baixo para cima, e o céu se partiu, a sombra que estava na Terra também, e pude ver uma última vez o sol.
De certa forma eu sabia que não ia sobreviver, por que havia feito isso? Era só mais um ato inútil, de uma vida inútil.
Mas sei que, por algum motivo, os humanos se lembrarão desse dia, em que alguém os salvou…
Um grão
Outro...
Mais um...
Caem em frente a mim
Espero por seu fim
Areia escorre
Em meio a distância de pensamentos
Me perco em seus elementos
Enquanto isso sigo preso
Meu amor é um peso
Que tenho que carregar aqui
Olho para a chuva lá fora caindo
Lágrimas de meus olhos estão saindo
Meu bico se abre novamente
Um pesar em minha mente
Bem-te-vi
Grito sem sua companhia fiel Ampulheta levou seu doce mel
Agora estou sozinho na gaiola
Sem ninguém em minha cola
Grito pesaroso
Sem poder partir
Bem-te-vi
Não é agradável ter paralisia noturna…
Esta era a sétima que eu tive esse ano, sentia mãos me agarrando por toda parte, uma pressão enorme em meu peito.
Embora eu pudesse abrir os olhos, não o faria, tinha medo do que pudesse ver, apenas implorava aos céus que passasse logo meu tormento.
E ele não passava, fiquei por vários minutos me contorcendo em agonia enquanto as mãos sombrias apalpavam todo meu corpo, ouvi passos do lado de fora do meu quarto, aparentemente alguém ia me salvar.
Minha mãe bate a porta três vezes, escuto risadinhas agudas em meu ouvido, junto com um hálito desagradável de enxofre e salitre.
— Jonas, você tá bem? Parece estar resmungando algo, vou abrir a porta.
Escuto os passos dela entrando no meu quarto e ela me balança algumas vezes.
— Jonas, Jonas!!
Ela parece desistir de me acordar por uns instantes, recuando com cautela.
Meus olhos, ainda fechados, percebem as luzes se apagando.
— Bom, vou te deixar dormir, ontem foi bem cansativo.
Ouço os passos se afastando e virando o corredor.
” Volta, por favor, me ajude” tento gritar mas nada sai da minha boca.” Mãe, mãe, me ajude”.
Sinto algo agarrando meu pé, algo gosmento…
No susto, abro os olhos e vejo o que estava causando a pressão em meu peito:
Um homenzinho franzino, pele vermelha e coberta de pelos estava agachado em meu peito, de costas. Sua cabeça era exageradamente desproporcional ao seu corpo,tombando seu frágil pescocinho de lado, como se tivesse-o quebrado.
Deixo escapar um berro abafado e ele se empertiga. Por um momento, acreditei que ele fosse olhar para trás e conferir o que ocorrera, mas não foi o que aconteceu: seu pescoço tombado de lado girou em 120° para mim, fazendo barulho de ossos se quebrando e carne rasgando.
Vi seu rosto: era o rosto deformado, com olhos derretidos e lânguidos chorando lágrimas de crocodilo, sua boca retorcida em um sorriso congelado, dentes pontiagudos amarelos e gengiva inflamada e sangrenta, seu nariz grande o suficiente para preencher 1/3 de sua face.
Sua boca não se abriu quando ele deu aquele berro ensurdecedor, similar a várias hienas em gargalhada. Meus olhos encheram se de lágrimas quando o forte bafo dele passou pelas minhas narinas.
Meu grito não saiu, mas pude sentir a minha pressão caindo, uma das mãos escuras que me agarravam apontou para meu pé.
Com esforço, olhei na direção: uma poça de sangue estava coagulando ao redor das minhas pernas, como se fosse um ser vivo ameboide que me prendia a cama.
Olhei para cima, com o coração apertado, vi que tinha um corpo esmagado no teto, como se uma mão gigante tivesse-o pressionado lentamente até escorrer tudo que tinha dentro.
A esse ponto, não conseguia mais pensar no que estava acontecendo.
E foi esse meu alívio: a minha pressão abaixou tanto que desmaiei.
No dia seguinte, acordei mijado e suado, minha cama encharcada e fedida.
Olhei para o calendario: dia 7 de novembro, eu tinha que me apressar para me aprontar, era o funeral da minha mãe.
Meus olhos pesam sobriamente
O chilrear dos pássaros é irritante
O barulho do alarme incomoda meus tímpanos
Oxigênio que antes me supria, agora é sufocante
Com a cabeça doendo, me levanto lentamente
Noite anterior se passa diante de mim
Memória sorridente
Afloram sentimentos efêmeros
Em um coração descontente
Há um alívio momentâneo por fim
Suor humano nos cobre
Álcool nas veias
Movimentos extravagantes
Bela garota nas ameias
Confortamo-nos em sentimento pobre
Etéreos e desvalidados
Entrelaçamo-nos em instinto primitivo
Prazer que se esvai mais rápido
Que as areias de uma ampulheta em definitivo
Quando a natureza rola seus dados
Foi uma boa noite festiva
Dela não sairá nenhum fruto marcante
Nem mesmo me lembrarei
Da bela garota nas ameias picante
No dia seguinte à festa em ativa
Por que procuro prazeres limitados?
Sendo que o limite do amor é desconhecido?
Impávido fogo se apaga
Tomo meu café envelhecido
Por uma noite em companhia dos amados.
Não estou aqui pela honra ou pela justiça
Sinto me excitado pela ideia de te atormentar
Sou escravo da vingança e do prazer efêmero
Não importa onde você esteja, vou lhe achar
Vago pelo mundo em busca de vitória mestiça
Quero acabar com você de qualquer jeito
Te caçarei até não ter mais onde ir
Mesmo que doente esteja em seu leito
Apodreço mais a cada minuto que você existir
Pegarei sua carne e oferecerei à corvos sangrentos
Sua alma irei devorar em tormento infinito
Seu sangue espalharei em becos lazarentos
Sua agonia ressoará como um coral bonito
Quero que não tenhas descanso em nenhuma hora
Que após mil eternidades de sofrimento eterno
Você finalmente tenha esperança de melhora
Pois quero transformá-la em cinzas no inferno
Quero que viva com apreensão absoluta
De que um dia irei buscá-lo em labuta
Sonhe comigo, pense em mim, tema a mim
Pois um dia, cedo ou tarde, serei seu fim
Meu nome estará cravado em sua memória
Sua essência será violada ao longo da história
Tudo o que foi e o que seria
Roubarei com um sorriso de alegria
Você, que antes estava em comando atroz
Será escravizado e sodomizado pelo seu algoz
Que o demônio o carregue para longe te ter
Pois será um alívio para você não me ver
Para todos lados que olhar
Estarei lá
Lembre de mim