Stasis

Tic, TacTic, Tac Está passando mais um dia em vácuoDespido de sentido, razão ou objetivoEnquanto cicatriz mancha destino inócuoDe sujo corpo ausente de motivo Visto-me de negra máscara repleta de personaE me agacho cobrindo as brasas da vital pulsão Enquanto a chama da vontade me abandonaAssim, desesperadamente crio, com paixão As palavras que uso jáContinuar lendo “Stasis”

Culpa Galopante

Acordei com os olhos remelados e o nariz bem seco: o clima de Porteirinha–MG era definitivamente ruim para minha rinite, e o hotel empoeirado e mal cuidado estava detonando minhas mucosas. Ao meu lado na cama, Lúcia roncava levemente, grunhindo coisas ininteligíveis em seu sono. Dei dois tapinhas nas costas dela, fazendo com que elaContinuar lendo “Culpa Galopante”

Vício

A cortina da noite descia sob o céu avermelhado do crepúsculo, o barulho intermitente das ondas ressoava em seus ouvidos, e o chilrear alegre dos pássaros aos poucos se calaram perante a crescente sensação do anoitecer. Com o olhar fixo no seu oponente, calculou suas chances: a espada dele era uma Nodachi, também conhecida comoContinuar lendo “Vício”

A Andorinha e o Cipreste

Num bosque muito distante da civilização, vivia uma andorinha pomposa e sorridente. Seu nome era Júlia, e ela amava cantar e dançar. Mas apesar de parecer feliz por fora, por dentro ela era muito insegura e tristonha: ela não tinha habilidades especiais como os outros animais, não conseguia se proteger dos predadores e vivia seContinuar lendo “A Andorinha e o Cipreste”

Na Estrada com Wotan

A Aposta: O Deus de um olho só repousava em seu trono imponente no castelo de Valaskjálf. Hugin e Munin estavam repousando em seus ombros largos cobertos por um manto escuro. Por toda a parte, valquírias estavam caminhando e cuidando de afazeres domésticos, preparando o banquete dos guerreiros do Valhalla. Foi então que viu entrarContinuar lendo “Na Estrada com Wotan”

Primavera Fria do Anticristo

Vejo as flores murchandoO verde se esvaindo da pintura do horizonteVeneno que escorre dos seios da TerraParaíso perdido que se amarraEm tristes momentos, A vida se acaba em morteA Primavera teve um fim Folhas caem secasNos meus pés descalços Não há mais verão, apenas o triste outonoBomba lançada em Gaia nos trás alvorada friaUm desrespeitoContinuar lendo “Primavera Fria do Anticristo”

Cacofonia

Onomatopeias enfeitam meu quartoAmbiente sonoro repleto com o medoDe vários homens escondidos em suas casasLíder em negação aponta seu dedoEnquanto preenche seu bolso fartoAssim como o miasma espectral do vírus mortalPróprio Tânatos caminha nas ruas da cidadeVejo-o da janela, tão belo e temível Assim como Eros, seu irmão em propriedadeDe mãos dadas em vista daContinuar lendo “Cacofonia”

Tubarão da Groelândia

Imortandade sem igual Envelhecimento sem precedentes Um animal sensacional Mais velho que, da sua vó, os pretendentes Sim meus amigos… Esse fudido tem mais de 400 anos Produtos Jequiti envelhecem antes de ti Ainda que seja sozinho, sem manos Continua nadando sem olhar para ti Ótimo carro, por sinal Não sei porque estou enaltecendo TalContinuar lendo “Tubarão da Groelândia”

Cubo de Gelo

Mais um cubo de gelo frio No meu copo de whisky importado Para esfriar minha cabeça em devaneio Esquecer de um mal que não deve ser lembrado Então, com pequenas peças de tabuleiro, crio Um teatro bem trabalhado e pouco organizado Atores principais em desilusões finais E Secundários sem soluções para seus primórdios Nem mesmoContinuar lendo “Cubo de Gelo”

Sonho Impossível

Ambos se aproximam da mesa do escritório, cada um de um lado, sentando-se frente a frente. O homem mais velho liga um dispositivo embaixo da mesa e acena com a cabeça, falando: — Pode começar me falando novamente das suas angústias? Para deixar registrado? — Claro doutor, já está gravando? — Sim, pode prosseguir… —Continuar lendo “Sonho Impossível”

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