Talassofobia

Sinto algo à espreita 
Uma presença no escuro abissal
Leviatã de tamanho colossal
Um ser acima de qualquer suspeita

Meu barco sente as vibrações
Ondas dobram perante suas ações
Tão inconstantes quanto as monções

Temor do mais profundo nível me domina
Algo que até mesmo o Criador abomina
Aquele que é o fim da vida
Lamenta a sereia de voz abatida

O mar possui determinado mistério
Pululando em vida como um biotério
Regado em morte como necrotério

Contradições que dinamizam o sentir
Braços viscosos e molhados me perseguem
Seus olhos de peixe não me deixam mentir
Mesmo que meus sentidos o neguem

Voz gutural sem sentido algum
Lança palavras de lugar nenhum
Tão soberbo quanto Meryamun

Possui milhões de nomes
Milhões de faces
O Deus das profundezas
Vai acordar um dia

Em R'leh tem seu derradeiro sono Despertado pelo abandono
Dos seres que deveriam louvá-lo como dono

Não olhe para o abismo, minha criança
O abismo azul que atrai seu olhar Pois assim que sua vista se cruzar
Você abandonará sua crença

Tema...
Tema o mar profundo
Pois ele não teme a nada
E um dia vai nos engolir

Publicado por GABRIEL DE CASTRO MAIA CARDOSO

Autor de "A Jornada do Legista" Escrevo sobre várias coisas Jornalismo UFMG

2 comentários em “Talassofobia

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