Dicas de Narrativa do Zyzz

Muitos de vocês já devem estar familiarizados com conceito de A Jornada do Herói, ou o “Monomito”. Utilizando dela, se tem uma base de criação de qualquer narrativa clássica.

Mas vocês sabem como utilizá-la e quando quebrá-la? Muito provável que tenha algumas ideias, mas organizar elas em uma história de narrativa coesa e sólida é complicado.

Após acessar o link acima, venha comigo para eu te mostrar como organizar suas ideias em uma história envolvente e consistente:

Em resumo, você pode resumir suas ideias em seis tópicos principais:

  1. A ideia em si
  2. Objetivo
  3. Ambientação
  4. Personagens
  5. Percurso/Empecilhos
  6. Desfecho

A Ideia em Si

Sobre o que é sua história? Qual o tema principal? Sua ideia inicial?

Utilizando como exemplo o meu livro: “A Jornada do Legista”, você pode resumir o tema principal como: “Garoto com problemas familiares tenta conquistar seu lugar em um mundo que nem mesmo as leis da natureza funcionam como deveriam”

Meio clichê? Provável que sim, mas não é a ideia principal que deve chamar a atenção do leitor, é um guia para você basear sua escrita. Não importa o quanto você floreie a sua história, o tema principal deve continuar o mesmo.

Objetivo

No caso, o que sua história tem a contar? Onde ela quer chegar? Qual a mensagem por trás da obra?

Usando novamente “A Jornada do Legista” como exemplo (pois tenho mais autoridade no assunto). O objetivo é contar 3 coisas diferentes: Como Kasias se tornou “o matador da besta”; como ele se sente sobre seu passado traumático e o que ele fará para se compreender como ser humano?; e por último, a jornada da comitiva do Elixir da Vida.

Ambientação

Onde sua história se passa? Em uma utopia socialista? No reino das fadas? Em meio ao apocalipse zumbi?

Não considere apenas os fatores espaciais, como a localidade geográfica de sua história (onde ela se passa), mas também considere quando ela se passa (eixo espaço-temporal).

Não se esqueça de demonstrar a cultura do local onde se passa sua história, e desdobre o como isso afeta sua narrativa, seja positivamente ou negativamente.

No caso de A Jornada do Legista, a história se passa em Faradin, passa por Camllan, vai à Nan’Deru e termina na fronteira de Vkstri. E quando isso se passa? Cerca de 1000 anos após a conjugação e após a desmantelação do Império Thenkar.

Para quem não leu o livro, essas informações não fazem sentido, e é seu papel como autor de organizar e detalhar tudo isso.

Personagens

Quem vai ser seu protagonista? Os secundários?  O antagonista?

Considere todas as facetas de seus personagens, tanto a parte física quanto mental quanto cultural/moral deles.

Tente não mantê-los unidimensionais demais, dê a eles facetas que fazem com que o leitor saiba que não são apenas estereótipos vívidos, e sim pessoas que, por acaso, existem somente em ideia.

Percurso/Empecilhos

Mostre o que os personagens estão fazendo para conquistar seu objetivo, seja ele um MacGuffin ou algo que aborda a psiquê e o passado de seus personagens.

Uma história altamente linear não gera empolgação no leitor, acelere e desacelere como quiser, volte algumas casas e ande de novo, o objetivo tem que estar claro, mas nem sempre visível.

Desfecho

Tenha em mente como terminará sua história. Abra possibilidades desde o começo e as amarre narrativamente ao longo de sua escrita, volte e releia trechos e sempre confira se não deixou pontas soltas.

Por fim, deixo aqui o que considero “Os 10 mandamentos do novo escritor”

  1. Evite olhar para a tela em branco. Escreva qualquer coisa e desenvolva a partir daí, não precisa fazer sentido de início, uma hora engata;
  2. Evite excesso de autocrítica, nenhum texto é perfeito e nem vai entregar 100% do que você deseja para o leitor. Acostume-se que tem pessoas melhores e mais experientes, evite perfeccionismo.
  3. Todas as situações e objetos que você colocar em sua história devem possuir objetivo prévio. Mesmo que o objetivo seja mostrar que não existe objetivo algum.
  4. Para resolver um problema que colocou na sua obra, não procure soluções fora dela, tampouco crie novas “regras” que facilitem a sua resolução. Não aceite de primeira a primeira ideia que teve, para não se tornar óbvia, chegue a pelo menos 5 resultados diferentes e escolha o mais interessante para a narrativa.
  5. Não mate personagens sem objetivos maiores, evite o choque pelo choque. Utilize esses eventos para desenvolver novas facetas na sua história.
  6. Clichês são bem vindos, até porque são exemplos de técnicas que deram certo. Mas evite exagerar: subverta-os de vez em quando para causar conflito e evitar que sua obra seja semelhante às demais. Procure originalidade!
  7. Plot-twists são interessantes, mas se utilizar de mais, sua história ficará previsível e chata.
  8. A pessoa que mais deve se agradar com sua obra não é a crítica, leitores ou amigos. Agrade primeiro à você mesmo! Criar algo que não lhe apetece ou lhe atrai nem lhe dá prazer é criar algo sem vida.
  9. Ao fazer personagens, pense primeiro em seus conceitos primordiais, depois abra eles e tente dar profundidade (se preciso), mas o principal é torná-los únicos na trama, cada um deve agir de maneira minimamente diferente dos demais.
  10. Saiba lidar com críticas construtivas, às vezes as pessoas possuem algo a acrescentar em sua obra, então sempre peça ajuda a quem você confia e tente escutar e considerar a opinião alheia.

Publicado por GABRIEL DE CASTRO MAIA CARDOSO

Autor de "A Jornada do Legista" Escrevo sobre várias coisas Jornalismo UFMG

Um comentário em “Dicas de Narrativa do Zyzz

  1. Meu filho! Você sempre me surpreende. O seu gosto pela escrita é extraordinário e já nasceu com esse dom. Tão novo, mas com tanta experiência e camaradagem (isto faz parte do seu ser), ajudar e incentivar novos escritores.
    Você vai longe meu filho.

    Curtir

Deixar mensagem para Cristine Audrey Cancelar resposta

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora