Incêndio na Campina

Devaneio onírico na campina ardente

Sinto temor em captar o olhar incandescente

De demônio escondido e feição ridente

Em meio às chamas de teor clarividente 

Fogo que consome minha mente

Frágil como um reles infante



É tão belo estar neste campo verdejante

Olho ao redor e vejo sinais de felicidade exultante

Em meio à fumaça do cigarro de meu tio hesitante

Vejo os olhos de figura inquietante


Algo que deveria lembrar, não obstante

Sinto-me esquecendo de algo inquietante

Será se estou mesmo saltitante?



Em meio ao lago deste campo verdejante

Vejo o reflexo em meu olho hipnotizante

O reflexo das chamas da loucura inebriante 

Sorrio em meio à verdade ululante:


O demônio das cinzas sou eu, Petulante

Consumido pelo torpor de uma insanidade relutante 

De fato sou o terror rastejante

Queimando essa terra onírica, minha mente agonizante 


Com um gemido prazeroso, finalizo a peça enojante

Está pronta a arte final, estonteante

O homem que era, se foi, emigrante

E agora há apenas um ser diletante 


Fecham-se as cortinas, pois sou…

Louco

Publicado por GABRIEL DE CASTRO MAIA CARDOSO

Autor de "A Jornada do Legista" Escrevo sobre várias coisas Jornalismo UFMG

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