Devaneio onírico na campina ardente
Sinto temor em captar o olhar incandescente
De demônio escondido e feição ridente
Em meio às chamas de teor clarividente
Fogo que consome minha mente
Frágil como um reles infante
…
É tão belo estar neste campo verdejante
Olho ao redor e vejo sinais de felicidade exultante
Em meio à fumaça do cigarro de meu tio hesitante
Vejo os olhos de figura inquietante
Algo que deveria lembrar, não obstante
Sinto-me esquecendo de algo inquietante
Será se estou mesmo saltitante?
…
Em meio ao lago deste campo verdejante
Vejo o reflexo em meu olho hipnotizante
O reflexo das chamas da loucura inebriante
Sorrio em meio à verdade ululante:
O demônio das cinzas sou eu, Petulante
Consumido pelo torpor de uma insanidade relutante
De fato sou o terror rastejante
Queimando essa terra onírica, minha mente agonizante
Com um gemido prazeroso, finalizo a peça enojante
Está pronta a arte final, estonteante
O homem que era, se foi, emigrante
E agora há apenas um ser diletante
Fecham-se as cortinas, pois sou…
Louco
